A dosagem de ferritina é um exame que ajuda a quantificar os estoques de ferro no nosso corpo. Ela revela se os estoques estão abaixo do normal, identificando deficiência de ferro ou acima do normal, indicando um excesso ou sobrecarga de ferro.
A ferritina é uma proteína que contém ferro no seu interior e é responsável por estocar ferro dentro das nossas células. O nosso organismo precisa de ferro para produzir hemoglobina e glóbulos vermelhos, que são responsáveis por transportar oxigênio dentro do nosso corpo. O ferro também exerce um papel importante para a formação do cérebro, funcionamento dos nossos músculos, síntese de DNA, produção de energia, atividade de enzimas e funcionamento dos músculos.
Quando os estoques de ferro no nosso corpo estão baixos, ocorre uma queda do valor da ferritina no sangue (ferritina baixa). Enquanto a perda menstrual de sangue é a causa mais comum em mulheres pré menopausa, a perda de sangue no trato digestivo é a causa mais comum em mulheres pós menopausa e em homens adultos.
Má-absorção (devido à doença celíaca, gastrite autoimune), baixa ingestão alimentar, gastrectomia (e cirurgia bariátrica) e uso de aspirina e outros medicamentos anti-inflamatórios são também causas comuns. Então, nos pacientes com ferritina baixa, necessário considerar: perda menstrual, gastrite autoimune, uso de aspirina e outros anti-inflamatórios, câncer de cólon, câncer gástrico, úlcera gástrica (benigna), doença celíaca, gastrectomia (e cirurgia bariátrica), colonização gástrica pela bactéria Helicobacter pylori.
Por isso, toda vez que nos deparamos com pacientes com ferritina baixa, devemos não apenas tratar a deficiência com reposição de ferro, mas também investigar e corrigir as suas causas.
Ao contrário, quando os estoques de ferro no nosso corpo estão altos, ocorre um aumento do valor da ferritina no sangue (ferritina alta). No entanto, a hemocromatose, que é a doença genética responsável pela absorção intestinal excessiva com consequente acúmulo (sobrecarga) de ferro no organismo, é rara. Na maior parte das fezes, esse aumento da ferritina indica alguma condição inflamatória e não reflete um verdadeiro excesso de ferro.
A ferritina é uma proteína que se altera quando há alguma inflamação no nosso organismo. Então o aumento da ferritina pode ocorrer em decorrência de uma variedade de situações, como infecções, inflamações agudas e crônicas e outras doenças benignas ou malignas.
O diabetes / resistência à insulina, obesidade, consumo excessivo de álcool, cirrose, hepatites, doenças autoimunes e câncer são alguns exemplos de situações que podem aumentar a ferritina, sem necessariamente significar acúmulo de ferro no nosso corpo.
E por isso que sempre que os exames indicam um aumento da ferritina, há necessidade de avaliação com o hematologista, para que ele possa investigar apropriadamente a verdadeira causa desse aumento e determinar se o diagnóstico do paciente é ou não de sobrecarga de ferro (hemocromatose).